Tereza Costa Rêgo, Clara Moreira e Juliana Lapa – Antes do Cio dos Gatos

Aos 90 anos, Tereza Costa Rêgo reafirma seu vigor e apresenta seis obras inéditas que são postas em conversa com trabalhos de Clara Moreira e Juliana Lapa. Todas as obras são figurativas, tendo a figura feminina como protagonista. As artistas também se juntaram, em Olinda, para produzir, juntas, uma foto representativa deste encontro e que foi transformada em cartaz. A curadoria, assinada por Bruno Albertim, coloca a nudez das mulheres de Tereza numa conversa com as mulheres desnudas de Juliana Lapa e Clara Moreira. Criada e educada numa família tradicional e aristocrática pernambucana, a jovem Tereza só pôde pintar o seu primeiro nu, quando da morte de sua mãe, na década de 1980. Junto com a dor veio a libertação do peso do patriarcado. Ao desnudar a si própria e a mulheres encarceradas ao longo de séculos de opressão, Tereza estava também abrindo caminhos na cena artística para que outras mulheres pudessem discutir em suas obras essa poética fêmea. É justamente nesse contexto que as obras de Clara Moreira e Juliana Lapa podem ser vistas como tributárias dessa trajetória. As duas têm pautado seus trabalhos nas questões do feminino.

ANTES DO CIO DOS GATOS –TEREZA COSTA RÊGO, CLARA MOREIRA E JULIANA LAPA

Curadoria: Bruno Albertim
Visitação de 29 de novembro  de 2019 a 31 de janeiro de 2020
Segunda a sexta, das 10h às 19h
Sábados 11h às 17h

Delson Uchôa e José Patrício – Pictória

Na quinta-feira, dia 8 de agosto, os artistas Delson Uchôa e José Patrício inauguram a exposiçãoPictoria, com curadoria de Julya Vasconcelos, na Galeria Amparo 60, a partir das 19h. Essa é aprimeira vez que os dois consagrados artistas nordestinos realizam uma exposição juntos. A ideiade colocar as obras dos dois em diálogo foi da galerista Lúcia Costa Santos, que, há anos,representa os dois no Recife. A proposta inicial era fazer esse confronto entre duas visões de mundo distintas, mas que são resultado de um mesmo contexto cultural e geracional. “São dois artistas muito importantes, damesma geração, que se projetaram bastante. Cada um tem sua forma de nos mostrar umaexplosão das cores”, diz a galerista.Julya Vasconcelos selecionou seis obras de cada artista, colocando-as em diálogo. Segundo ela,ambos fazem uso de módulos em seus trabalhos e também de materiais que, para o sensocomum, não seriam matéria-prima ideal para produções artísticas.

“Estes materiais, em suamaioria pouco valorizados, funcionam como pigmentos não tradicionais que geram nos dois o quepodemos chamar de uma investigação a respeito das possibilidades de objetos-pigmentos e daconstrução, também, de uma expansão do conceito de pintura. A mostra Pictoria explora esseuniverso da cor em ambos”, explica a curadora. A conversa entre os artistas se desenrolajustamente encima desses três eixos que os aproximam: os módulos, os materiais poucovalorizados e a pintura expandida.Segundo Delson, trata-se de uma exposição de pinturas, mas que nem sempre o pincel e a tintaestão presentes. A seleção da curadora é formada por um apanhado redondo: pinturas planas,pintura objeto, díptico sobreposto, fotografia como suporte para a pintura expandida e um vídeode José Patrício – que está sendo produzido especialmente para a mostra. “É a pintura que migrapor variados suportes… fala da sua condição carnal, materialidade e essência querendo repovoarArte Contemporânea. São dois pintores, isso nos aproxima, no mais é o corpo do Nordeste”,sintetiza Delson.

A pintura, a geometria e a cor vinculadas aos materiais e às expressões mais características dacultura popular do Nordeste são questões que claramente interessam aos dois. “Uma certaidentidade brasileira e nordestina nos une. Acho que os nossos trabalhos apresentam uma sínteseentre o universal e o regional. Nossa pesquisa visual, de teor experimental, faz uso deprocedimentos não convencionais para a criação artística. Para sintetizar, no que eu chamaria decomplementaridade, destaco o caráter apolíneo do meu trabalho e o caráter dionisíaco dotrabalho de Delson”, pontua Patrício.De fato, Delson Uchôa costuma ser visto como um artista que desenvolve uma pesquisa maisintuitiva e dada aos improvisos, enquanto José Patrício costuma ser encarado como um artistamais cerebral. Para a curadora, essas distinções deixam a conversa ainda mais interessante. “Achoque a conexão entre os dois dá a ver os caminhos mais tortuosos que ambos traçam nos seusprocessos, bebendo aqui e ali tanto nas precisões quanto nas imprecisões. Vejo um diálogo rico”.

Pictoria – Delson Uchoa e José Patrício
Abertura 8 de agosto, a partir das 19h – Só para convidados
Visitação de 9 de agosto a 13 de setembro.
Terça a sexta, das 10h às 19h.
Sábados das 11h às 17h.
Galeria Amparo 60 Califórnia
Rua Artur Muniz, 82. Primeiro andar, salas 13/14
Boa Viagem, Recife – PE
+55 81 3033.6060

Derlon – A beleza do tempo

O artista pernambucano, radicado há sete anos em São Paulo, volta ao Recife para apresentar a exposição A beleza do tempo. Serão obras, algumas grandes e outras menores, que integram uma pesquisa que vem sendo desenvolvida pelo artista há mais de oito anos, uma pesquisa sobre fotopinturas, uma técnica bastante utilizada no passado, mas praticamente extinta hoje. “Eu nasci no Recife, tenho essa vertente saudosista, trabalho muito com a memória. É algo que toca muito em mim, com a qual me identifico. Por isso fui tocado por essas fotopinturas”, explica. O primeiro contato do público com a mostra será o mural que o artista vai pintar no corredor da sobreloja do edifício Califórnia que dá acesso à Galeria Amparo 60, uma proposta em total diálogo com a trajetória de Derlon, desde sempre ligada à imagem gráfica. O início de sua carreira foi marcado pelas intervenções urbanas no Recife onde se dedicou, principalmente, à pintura muralista, já aliando o grafite às referências da cultura nordestina, da xilogravura.

Dentro da galeria, Derlon vai montar uma grande composição com obras de dimensão menores, colocando em diálogo fotopinturas e suas releituras delas. “Faço um jogo de imagens que desejam representar essa beleza, essa beleza do passado que não volta mais”, explica, destacando que optou pelo uso quase que exclusivo do preto e do branco nas pequenas obras que produziu para manter o tom saudosista e investir nos contrastes.

Na sala principal, a aposta de Derlon é em obras de maiores dimensões que formam conjuntos específicos, todos também em diálogo com as fotopinturas. Numa das obras, o artista faz referência a tradição nas casas de interior de dispor as fotopinturas de entes da família ao lado de imagens religiosas e de santos. “Em uma delas, faço uma alusão a essa questão religiosa e utilizo a folha de ouro para alguns detalhes. Em outra obra, adicionei um botão”, diz o artista, comentando que nos trabalhos exercitou outras técnicas. Nas obras em exposição, o artista trabalhou com acrílica sobre MDF e compensado, utilizando spray, estêncil e pincel.

A beleza do tempo – Derlon
Abertura 30 de maio, a partir das 19h
Visitação de 1 a 28 de junho de 2019.
Segunda a sexta, das 10h às 19h.
Sábados mediante agendamento prévio.
Galeria Amparo 60 Califórnia
Rua Artur Muniz, 82. Primeiro andar, salas 13/14
Boa Viagem, Recife – PE
+55 81 3033.6060

Ramonn Vieitez – Um Lugar Calmo para as minhas Certezas

 

Reunindo pinturas, gravuras e objetos, a produção apresentada na exposição Um lugar calmo para minhas certezas representa o caminho de transformação pelo qual o trabalho de Rammon Vieitez tem passado. O caráter íntimo e confessional segue sendo uma constante, mas, diferentemente de seus trabalhos anteriores, o artista parece ter consciência e clareza da transitoriedade de alguns momentos e, para compreendê-los, impregna suas práticas cotidianas de muito simbolismo. O artista, que sempre trabalhou com pintura, experimenta agora novos caminhos de criação através de outras técnicas.

“A pintura sempre me trouxe o conforto da descoberta em seu processo, mas, às vezes, é necessário respirar novos ares, a sensação é basicamente a mesma, mas a mudança do processo traz renovação, se tornando complementos de uma constante pesquisa”, pontua. Entre esses novos experimentos, obras nas quais o artista utiliza cactos cultivados em seu jardim, que recebem nova conotação através de interferências com poliuretano e resina. Um desses cactos vem para o espaço expositivo, disposto em um objeto suspenso, referência às descobertas botânicas do Século XIX. Ainda brincando com o efêmero, a série de gravuras apresentadas por Ramonn utiliza como matriz impressões a jato de tinta sobre papel-alumínio, um suporte incapaz de absorver a matéria, sendo necessário transferi-la para outro corpo. A atmosfera enigmática e um certo tom melancólico de seus trabalhos seguem tendo uma enorme força, em especial nas pinturas. Nelas, o artista continua a explorar (como em séries anteriores) ambientes misteriosos e fantásticos que abrigam jovens solitários, estáticos, que parecem esperar que algo aconteça ou que parecem viver os instantes após algum acontecimento.

 

Um lugar calmo para minhas certezas – Ramonn Vieitez

Abertura 29 de abril, a partir das 19h – Só para convidados

Visitação de 30 de março a 3 de maio.

Segunda à sexta, das 10h às 19h

Sábados das 11h às 17h

Galeria Amparo 60 Califórnia

Rua Artur Muniz, 82. Primeiro andar, salas 13/14

Boa Viagem, Recife – PE

+55 81 3033.6060

Segunda a sexta: 10h às 19h
Sábado: 11h às 17h

+55 81 3033.6060

+55 81 99986.0016

galeria@amparo60.com.br

Rua Artur Muniz, nº 82, 1º andar, salas 13 e 14 (Entrada pelo restaurante Alphaiate)
Boa Viagem | Recife | Pernambuco