A VIRULÊNCIA DA ARTE – PAULO BRUSCKY

 

A mostra “A virulência da arte” traz um olhar sobre a pandemia do coronavírus e a importância das criações artísticas para enfrentar este momento

Uma das lições do atual período de pandemia é a importância da arte. O que seria do período de isolamento social sem ela? A importância e a presença da arte é algo que acompanha o trabalho do artista multimídia Paulo Bruscky há décadas e norteará também a exposição   “A virulência da arte”, a ser inaugurada nesta quinta (28), na Galeria Amparo 60. São  arte-classificados, colagens e uma performance – todos inéditos –, sob curadoria de Mariana Oliveira. A exibição fica aberta ao público até o dia xxx, tanto no espaço físico da Amparo quanto em suas redes sociais e no site da SpotArt, parceira da iniciativa e responsável também pela expografia da mostra, através do site https://www.spotart.com.br/galerias/amparo60.

 

Bruscky conta que começou a produzir as peças em março do ano passado, quando foi visitar sua filha e o neto recém-nascido em Paris, época em que o coronavírus começou a se disseminar por todo o mundo. “Foi um grande impacto não só para mim, mas para a humanidade. Quando estávamos tendo tantas conquistas com a tecnologia, somos pegos por essa peste”, lembrou. O artista desembarcou no Brasil em abril e finalizou as colagens já sob o impacto do avanço da pandemia em todo o mundo. “Neste momento de isolamento social, tenho trabalhado muito, chego cedo ao ateliê e passo o dia lá em plena produção. No caso das colagens, inicie o processo no computador com minha filha, na França, e terminei no meu retorno ao ateliê, com a inserção de outros elementos”,

 

A exposição tem um forte caráter político e o descontentamento do artista com a postura do governo em relação a este momento está retratado bem diretamente em uma das colagens e na serigrafia, preparada com exclusividade para a mostra. Trata-se de uma bandeira do Brasil rasgada e despedaçada ligada a frase: “O que nos espera?”. “Eu tinha essa bandeira há tempos, depois folheando uma revista, encontrei a frase completa, e a partir desses dois elementos saiu essa obra que representa muito bem a exposição como um todo”, conta Bruscky. “Essa colagem é bem forte e mostra o sentimento que vivemos neste momento de incertezas, em que mesmo com as vacinas, temos uma liderança nacional negacionista e que trabalha contra a população e a ciência. Para onde vamos? O que nos espera? Como sempre faz, Bruscky nos provoca”, diz a curadora Mariana Oliveira.

 

O artista também se dedicou a produção de Arte Classificados, fazendo publicações e intervenções que chamavam atenção para as angústias do momento, para a solidão e para o papel que a arte tem. Num dos classificados ele vaticina: “A virulência da arte é maior que a solidão do coronavírus”. Numa outra ação, ele convoca a população a prestar uma homenagem aos profissionais de saúde da linha de frente. “Mesmo perante toda essa ausência – principalmente governamental – eles arriscam suas vidas para salvar as nossas. Por isso, fiz a arte classificada Poesia Sonora, convidando as pessoas e instituições a fazerem barulho para homenagear essa categoria tão importante”, lembra o artista.

 

Em uma performance também inédita, realizada neste mês de janeiro na galeria, documentada em vídeo especialmente para a mostra, Bruscky volta a questionar o papel da arte e sua perenidade. Haja o que houver, passe o que passar a arte fica. “A Virulência da arte é uma ode a isso, a presença, a permanência e a essencialidade da arte nas nossas vidas. Ideia que aparece recorrentemente em seus trabalhos. Ele já nos perguntou na década de 1970: ‘o que é a arte e para que serve?’”, destaca a curadora. “A gente está vivendo numa sociedade tão autômata, que simplesmente não pensa, e que agora se vê obrigada a refletir, em meio a essa pandemia”, complementa o artista.

 

A expo faz parte do projeto Mirada, idealizado pela galerista Lúcia Costa Santos em parceria com a SpotArt. A ideia é, a partir da mirada, do olhar, pelo espaço reduzido, mas que é, ao mesmo tempo, uma vitrine, ampliar o alcance das obras. A iniciativa, que nasceu neste momento de pandemia, tem um caráter virtual muito forte, aliado a possibilidade do presencial. Esta será a segunda exposição do projeto que vai se estender ao longo de 2021.

 

Para Ricardo Lyra, um dos sócios da SpotArt, a parceria com a Amparo 60 no projeto Mirada é a confirmação de um trabalho de cinco anos. “Tanto a mostra de Marcelo Silveira que deu início ao projeto (realizada no ano passado) como a de Paulo Bruscky e as demais que estão por vir, abrem um caminho na arte contemporânea para o SpotArt”, afirma. “Com Paulo Bruscky estamos tendo uma vivência ou uma imersão neste novo mundo. Todo seu conhecimento, sua forma de criar e apresentar sua obra está sendo bastante enriquecedor”.

SERVIÇO

A virulência da Arte, de Paulo Bruscky

Curadoria: Mariana Oliveira

Abertura: 28 de janeiro de 2021

Encerramento: 26 de fevereiro

Agendamento de visitas: (81) 99986-0016 ou (81) 3033-6060

Onde: Galeria Amparo 60 – Rua Artur Muniz, 82, salas 13 e 14 – Boa Viagem, Recife

https://www.spotart.com.br/galerias/amparo60

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