Juliana Lapa

Nos labirintos da mata e do corpo, por Pollyana Quintella A princípio poderíamos supor que os desenhos em grafite da série Breu, produzidos desde 2015, são fruto de observação, uma vez que apresentam afinado apuro técnico e um grande repertório de detalhes. No entanto, são composições livres, imaginadas por Juliana. As tramas, galhos, troncos e entrelaçamentos elaboram um cenário de mistério e medo, junto a um desejo pelo desvendamento. Para a artista, o trabalho aparece como fenômeno mágico e encantado, processo de vidência que instaura novas situações no mundo. Curiosamente, os Breus, embora ofereçam uma atmosfera de temor e mistério, são também um testemunho de intimidade e introspecção. O ponto de vista da artista nos coloca dentro da floresta. Não há distanciamento possível dos elementos, algo também reforçado pela grande escala, nos convidando a entrar na mata. Nesse caminho podemos evocar Gaston Bachelard. Em seu livro A Terra e os devaneios do repouso, o filósofo se debruça sobre imagens da beleza íntima da matéria, situações de afetividades inconscientes e subterrâneas. A gruta, a casa e o ventre, imagens de refúgio, são evocadas para oferecer tranquilidade íntima, repouso. Aqui, os Breus simultaneamente nos abraçam e nos apavoram, como redutos de segredos.

Estou Viva, 2021 da série Breu
grafite s/ papel
152 x 116 cm

Lusco Fusco (2020), da série “Breu” Lápis e pastel a óleo e colagem sobre papel 70 x 100 cm

Sem Título, 2018 Grafite sobre papel 94 x 75 cm

Desencarne, 2020, da série Outros Esquemas do Corpo lápis de cor s/ papel 70 x 100 cm

Cordão, 2021, da série Breu Lápis de cor s/ papel 124 x 90 cm

Segunda à sexta: 10h às 18h
(outros horários com agendamento prévio)

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Rua Artur Muniz, nº 82, 1º andar, salas 13 e 14 (Entrada pelo restaurante Alphaiate)
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